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Unidos pela cerâmica

Neide, Lana e Vitor, unidos pela cerâmica

 

O produto artesanal é fruto da criatividade do artesão e da influência de seu meio. O artesanato brasileiro reflete a vasta diversidade cultural que domina nosso país, visto que são inúmeras as matérias primas por toda essa terra. De norte a sul, a manifestação, história e expressão da cultura no Brasil se divergem de modo a deixar nossa união mais bonita e exótica, justamente porque há influências do país por todo o país. A técnica da cerâmica é recorrente e tem grande utilidade no artesanato indígena. Na cidade de Florianópolis, capital de Santa Catarina, está situado um ateliê desta técnica cujos artesãos poderiam ser chamados de mestres, mesmo estando longe das tribos.

 

Mandala, por VINELI

 

O Estúdio Vineli é abastecido pelo casal Vitor e Neide e por sua filha Liliana há cinco anos, e trazem uma experiência longínqua. Vi+Ne+Li, como contam as iniciais, tem como raiz a mestria do artesão Victor, que alimenta a cerâmica como paixão há mais de cinquenta anos e, exalando esta paixão, atraiu Neide e Liliana. Victor trabalhou em várias cidades do Brasil afora, sempre priorizando o significado do artesanato, o esforço e paixão do artesão como profissional. Lana, como é carinhosamente chamada a filha, está inserida na cerâmica há mais de 25 anos, mas sua formação acadêmica foi em Comunicação Social em uma universidade do Espírito Santo. Lana confessa sua timidez para lidar com negócios de comunicação, e diz ter sido a cerâmica que a atraiu de forma viciante.


 

A família fica no ateliê o dia todo: na parte da frente, há uma lojinha com as peças expostas, e, aos fundos, fica o amado ateliê. Todas feitas à mão, as peças são vendidas para o Brasil e o mundo, fazendo a felicidade dos Vineli. Azulejos, painéis, lavatórios, cubas, tapetes e louça de mesa estão entre as produções dos três, especializados na vertente da faiança branca, cujas qualidades competem com a porcelana.  Lana se dá bem com desenho desde criança, e hoje é seu traço que predomina na decoração das peças. Apaixonada pelos painéis, ressalta que não precisou de curso algum para se adaptar à técnica. “Meu pai é o maior mestre de todos, aprendi tudo com ele. Hoje, minha vida é a cerâmica. É maravilhoso acompanhar todas as etapas e poder se orgulhar do resultado no fim.” De voz calma e delicada, a artesã relata que nunca se aventurou em outras áreas do artesanato, visto que a cerâmica abre portas para muitas técnicas dentro dela. “Você obtém muitos produtos diferentes partindo do que pode ousar dentro da cerâmica.” Toda a criação artística do Estúdio é um trabalho em equipe da família.

 

Painel, desenho de Lana

 

O trio já morou em vários pontos do país, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo. Inclusive, era em Aruarama, interior do Rio, que estavam antes de partir para Santa Catarina. Lana confessa a diferença do cidadão de Florianópolis para com o artesanato se comparado ao carioca ou paulista. Percebe que Santa Catarina tem uma preocupação com o folclore, com o artístico de raiz. As pessoas procuram o artesanato, vão atrás de feiras e dão valor à tradição. Essa cultura é algo que ronda o dia-a-dia do catarinense. Lana ressalta a importância da divulgação de portais de artesanato para que essa expressão tão bonita não se perca e caia nos meios de produção comerciais. O público sustenta o artesão, e o artesanato é parte inerente da cultura híbrida brasileira. A arte da cerâmica é alimento diário para a família de Lana. 

 

Azulejo todo pintado à mão 

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